Para escrever um livro, basta ser alfabetizado?
Terça-feira, 4 Setembro 2007 de Marconi L. Pires
OUTRO PROGRAMA DA TV CULTURA que sou fã é o EntreLinhas. É exibido toda quarta-feira às 22h40. No programa que foi ao ar dia 04 de julho, vi uma matéria interessante sobre “Como encurtar o caminho até a publicação do primeiro livro“. Mostraram o árduo caminhos de alguns autores, por exemplo Adélia Prado e Lya Luft, que só publicaram seus primeiros trabalhos depois dos 40 anos de idade, e o caminho “mais fácil” percorrido por Cecília Meireles, que publicou “Espectro”, seu primeiro livro de poesia, aos 18 anos de idade.

A entrevistada, sócia de uma editora, abordou algumas curiosidades referentes à publicação de livros.
Por exemplo, sua editora recebe vários livros por mês de novos autores. Alguns ficam realmente decepcionados ao levar um NÃO como resposta, mas simplesmente esquecem, ou partem pra outra editora. Outros partem pra ignorância: agridem verbalmente a editora, ameaçam violência física… “houve um cidadão“, afirma a editora, “que me ligou muito nervoso, dizendo: ‘vocês vão ver, vou levar esse livro à outra editora, ele vai ser um best-seller, e vou voltar aí pra esfregá-lo na cara de vocês’. Quer dizer, o cidadão não aceita que o que ele escreveu ou precisa ser revisto ou arquivado eternamente numa gaveta“.
Outro fato curioso, as pessoas entendem que, para ser um pintor, um artista plástico, elas precisam entender de arte. Ou seja, conhecer os grandes pintores, suas histórias, suas técnicas, estudar muito, se dedicar. Idem para ser um músico. Elas precisam aprender a tocar um instrumento, estudá-lo, tocar muitas e muitas vezes até que se aprimore. Quer dizer, muitas vezes é preciso uma vida inteira para se tornar um músico, um artista de fato. Então são raras as pessoas que se aventuram na pintura e na música (não me refiro a esse bando de duplinhas sertanejas idiotas que germinam pelo Brasil)
Mas a questão é a seguinte: pra escrever um livro, as pessoas pensam que basta ser alfabetizado para fazê-lo! O que não é verdade! É muito mais profundo que isso! Costuma-se dizer que há um poeta dentro de cada um de nós. Sim, até pode ser, mas a maioria desses poetas é ruim! Também dizem que todos têm alma de escritor! Mas a maioria são péssimos escritores. Dessa forma, para se escrever um bom livro, um grande romance, em primeiro lugar é preciso ter senso crítico. Se não tiver, que alguém o tenha por você, e o avalie. Porque talvez você seja um escritor previlegiado, e precise também de um editor previlegiado para que reconheça sua obra.
Como foi o caso do importante escritor americano Stephen King. Ele passou maus bocados no início da carreira, sendo recusado por grandes editores. Certa vez ele mandara um manuscrito a um importante editor da cidade. Na semana seguinte recebera o manuscrito de volta, acompanhado de uma carta-resposta padrão: “infelizmente seu manuscrito não atende às necessidades de nossa editora. Muito obrigado“.
Certo de que os editores não liam nem metade dos livros que lhes eram enviados, King fez o seguinte: colocou um pouco de cola entre as páginas 9 e 10, a fim de que as duas ficassem grudadas, e para lê-las seria necessário romper a colagem. Feito isso, ele envia o manuscrito ao editor. Na semana seguinte, o manuscrito novamente é devolvido com a mesma carta padrão: “infelizmente seu livro…“. Mas daí a surpresa: as páginas 9 e 10 continuavam coladas! Quer dizer, o editor nem se dera ao trabalho de ler seu manuscrito para avaliá-lo!
King, indignado, mandou então uma carta bem mal educada ao editor, dizendo que não eram profissionais, que isso era caso de polícia, e como poderiam ser tão mesquinhos, pois ele havia colado as páginas 9 e 10, e elas continuavam coladas, portanto ninguém lera seu manuscrito!! Naquela mesma semana, King recebe outra carta-resposta do editor: “Caro S. King, o livro do senhor é tão ruim, que não foi necessário ler mais que 5 páginas para reprová-lo. Passar bem.“
Apesar dessa história, Stephen King é o grande escritor que todos nós conhecemos. Mas se ele tivesse se deixado levar por essa experiência, estaríamos nós todos privados de obras de arte, como “Carrie”, “O Iluminado”, “A Hora do Vampiro”, “Cemitério Maldito”, “Além da Zona da Imaginação”, só pra citar os clássicos.
CONCLUINDO, SE PARA LER é necessário muito mais que conhecer o alfabeto de cor, imagina pra escrever! Vamos aprender a ler primeiro, antes de se aventurar por aí. Se de fato você sente um poeta ou um romancista rugindo dentro de você, como um leão faminto, das duas, uma: ou escreva um diário e guarde-o só para você; ou crie um blog para escrever sobre coisas inúteis, assim como eu fiz!






[...] 21st, 2007 by m.l.p. NUM ARTIGO ANTERIOR CONTEI UMA HISTÓRIA que li em um Livro chamado “Dissecando Stephen King“, uma série [...]
uahuhauah na sua conclusão você afirmou que:
“se você acha que é capaz de escrever um livro desista filho esqueça escreva um diario só para você , não compartilhe com ninguém sua história e seus sonhos e desvaneios vividos por seus personagens deixe-os morrer com você”
“Porque talvez você seja um escritor previlegiado, e precise também de um editor previlegiado para que reconheça sua obra.”
“…ou crie um blog para escrever sobre coisas inúteis, assim como eu fiz! ”
Onde eu disse que é pra deixar morrer sonhos e desvaneios??
“A pontuação, quando usada corretamente, deixa o português tão mais lindo e compreensível”
Muuuuuito interessante sou um semi-analfabeto mas adorei a leitura destas suas provocaçoes aqui e em todo seu blog
E ai mandou legal nesta matéria…sei que não tem nada com relação a esta, mas, como saber se um livro pode ser postado para downloads?