Escrevi esse pequeno texto no sábado a noite, e o publiquei imediatamente. Mas por algum motivo o WordPress não o quis publicar. Será que deu bug no WordPress, ou fui eu quem apertou algum botão errado? Fico com a segunda opção.
Trabalhei na fábrica apenas num pequeno período do sábado a tarde, e resolvi tirar o resto do dia para ouvir apenas cantoras, em virtude do dia internacional da mulher. Essa é minha singela homenagem a essas guerreiras, sem as quais nós, homens, nada seriam.
Há uns 15 anos, quando eu só ouvia rock n’ roll, e odiava qualquer outra forma de expressão musical, a única cantora que eu gostava de ouvir era a Courtney Love, e sua banda de rock Hole. Também costumava ouvir Elis Regina, pois em casa todos gostavam dela, mas eu ouvia de tabela, não por gosto. Depois que conheci Billie Holliday tudo mudou.
Ouvi bastante Billie hoje. Sua voz é fantástica, poderosa. Isso aliado ao seu jeito peculiar de cantar, tornam Billie uma das maiores cantoras do mundo. Ela teve uma carreira curta, lançou poucos discos, mas mesmo assim tornou-se uma das mais importantes cantoras de Jazz. Sim, embora costuma-se dizer que Billie era uma cantora de blues, ela própria desmentiu isso. Um repórter a perguntou, e ela respondeu: “Sou uma cantora de Jazz”. Rótulos à parte, eu gosto muito de ouví-la cantar. Sua voz é muito marcante, te faz fechar os olhos e sentir a música. Assim como pode-se sentir a “parede se som” criada por Phil Spector, Billie faz você sentir a música dela, tão próxima que é possível sentir seu aroma.
Para muitos que tem menos de 30 anos de idade, Aracy de Almeida não passava de uma jurada no saudoso Show de Calouros. Mas tive sorte e, apesar de ter menos de 30, eu conheci o lado musical de Aracy, uma das melhores cantoras de samba da sua época, e de certo modo continua a ser. A melhor intérprete de Noel Rosa, segundo o próprio Noel. “Aracy é a que melhor interpreta o que eu produzo”, dizia o poeta da vila. E essa combinação Noel + Aracy só podia dar coisa muito boa. Quem ainda não ouviu nada deles não pode dizer que conhece música brasileira.
Acho que Nara Leão é uma unanimidade, muito embora toda unanimidade seja burra, segundo Nelson Rodrigues. Mas é que Nara canta tão bem, que é difícil encontrar alguém que realmente aprecie música que não goste profundamente de Nara. Pra mim, Cartola só é bom na voz do próprio Cartola, mas quando ouvi O Sol Nascerá na voz de Nara, tive que me render à sua maestria. Ficou muito boa a sua gravação, um samba de primeira. Sem contar que A banda pareceu ser feita por Chico Buarque sob medida para ela. É engraçado ver Chico contar sobre quando apresentaram A Banda no festival de música: “a música tinha ficado muito pequena, então pra aumentar a apresentação, primeiro eu entrei no palco e cantei A Banda só no violão. No final, aí então entrou Nara cantando a música novamente“. E Com Açúcar Com Afeto, outra pérola do Chico, quem não se emociona ao ouví-la cantar “com açúcar, com afeto, fiz seu doce predileto, pra você parar em casa…”? Ela praticamente lançou Chico, chance essa deixada escapar por Elis.
Outra cantora fantástica de Jazz é Nina Simone, e seu vozeirão inconfundível. Pra quem aprecia Jazz, Nina é figura que não pode faltar na discografia, assim como Billie Holliday também não. É sempre bom ouvir um disco inteiro dela, e esquecer um pouco dessas músicas ruins que somos obrigados a ouvir diariamente nas rádios, que mais parecem um circo bizarro de horrores.
Bom, sábado eu só ouvi isso, mas gosto de muitas outras cantoras, como Elis Regina, Carmem Miranda, Ella Fitzgerald, e tantas outras. Devem ter percebido que sou meio nostálgico em relação à música, o que é a mais pura verdade. Em 90% dos casos, música boa pra mim é música velha, no bom sentido da palavra. Honestamente, da década de 1990 pra aqui, foram raros os artistas que surgiram e que mereçam o nobre título de “fazedores de boa música”. Me digam pelo menos cinco, entre homens e mulheres, que mereçam o respeito daqueles que gostam de uma boa música?

Aqui em BH há ótimas novas cantoras: Titane (pesquisa tradição da música mineira), Carona Brasil (quinteto afinadissimo que canta Lupicinio Rodrigues e outros, cada faixa uam delas faz o solo) e …Amareto ( duas irmãs filhas de um casal de professores de medicina) Afinação e cuidado com a voz e escolha de repsertório são características de todas.
Doris Monteiro é outra boa cantora. http://www.dorismonteiro.com.br
Estava lendo sobre a Lecy Brandão que há muito não ouço. Há uma pouco conhecida, Ely… que pesquisa música popular nordestina, eu que raramente compro disco ou CD tenho um dela e do Carona Brasil.
Olá, Silvia.
Você tocou no ponto chave: ‘repertório’. Pra que não tem músicas próprias, isso é importantíssimo.
Me lembrei agora de Fernanda Takai. Nunca gostei muito do som do Pato Fu, então a voz da Fernanda nunca me chamou a atenção. mas quando eu ouvi o disco solo dela, cantando Chico Buarque, Ary Barroso, Caetano Veloso, me encantei com a moça! Tem uma voz belíssima, que ao meu ver está sendo mal aproveitada numa banda como Pato Fu.
Até mesmo a Pitty, fico imaginando ela cantando bossa nova, samba. Deve ficar muito bom.
Sobre as cantoras que mencionou, vou pesquisar a respeito.
Abraço,
m.l.p.