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Archive for the ‘Artigo’ Category

Eu odeio Química

Vi um outdoor hoje que me tirou do sério: Tratamento capilar SEM QUÍMICA. É obvio que a mensagem que a propaganda tenta passar é a que o produto oferecido não faz mal à saúde, é livre de qualquer composto que possa prejudicar a madame que porventura venha a usá-lo. Mas a cada dia os chamados publicitários menos entendem do assunto que divulgam. A impressão que dá é que eles imaginam que falam para um bando de ignorantes que mal conseguem ler o que está escrito, quem dirá entender o que eles dizem. E quem nunca se sentiu um completo idiota diante das propagandas que são exibidas principalmente na televisão?

O cidadão, quando quer dizer que um produto é bom, natural, dizendo que este é livre de química, não deve ter nem o ensino médio completo, pois se tivesse, saberia que o que rege o seu organismo, o que mantém todo o seu corpo em perfeita harmonia é justamente um conjunto de REAÇÕES QUÍMICAS conhecidas por metabolismo. Em seu corpo ocorrem várias reações químicas ao mesmo tempo, que transportam oxigênio para o seu cérebro, que digerem e absorvem os alimentos que você ingere, que geram energia para que você consiga se manter de pé. E se para sermos saudáveis teríamos que ser livres de qualquer química, saiba meu amigo publicitário, que você simplesmente, para princípio de conversa nem conseguiria abrir os próprios olhos. Aliás, se porventura, nesse exato momento, as reações químicas de seu corpo cessassem, você não mais estaria entre nós para contar sua medíocre história.

Será que é muito difícil estudar um pouco sobre aquilo que vai ser falado? Será que estamos sendo levados para um tempo remoto, quando que não era necessário ter um curso superior para exercer a prática de jornalismo, sendo também completamente dispensável um curso especializado em marketing, ou seja lá o que for, para fazer propaganda? A impressão é essa. Um bando de ignorantes divulgando um produto, um serviço a um bando de broncos semi analfabetos.

E o ‘show da publicidade brasileira’ que um certo pseudo apresentador de televisão se refere? Estou até hoje esperando esse show, e desconfio que vou morrer sem nunca ter visto.

Obviamente não devemos generalizar. Nesse ramo há profissionais honestos, de grande capacidade intelectual sem dúvidas, e eles não devem pagar pelos colegas obtusos. E nem pretendo que esse texto seja um ataque à publicidade brasileira, muito embora o seja de certa forma. Mas é que estamos (pelo menos eu estou) fartos de sermos tratados com ignorantes que ainda usam aquelas sandálias, ou bebem aquela cerveja, porque o cartaz promocional desses produtos está repleto de mulheres seminuas retocadas ao extremo com programas editores de imagens. Me desculpem, mas não sou idiota. Ao menos perceberam que não dá pra ser um nadador eficiente, ou um ciclista saudável, se entre um mergulho e outro, entre uma volta e outra, eu fumasse um ou mais cigarros, transparecendo uma sensação de bem estar, saúde, como a indústria tabagista queria que engolíssemos.

Sem química não há vida, portanto pensem melhor antes de querer dizer algo dizendo uma idiotice.

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Notícias sobre Espumas de poliuretano

EU TRABALHO HÁ QUASE DEZ ANOS com espumas flexíveis de poliuretano, no ramo de colchões, e sou especializado em formulação, produção e desenvolvimento de espumas flexíveis convencionais, macias, hipermacias, HR (alta resiliência), viscoelásticas, esponjas de banho e de limpeza, firmes e extrafirmes. Como todo profissional nessa área, sinto uma carência muito grande em relação às novidades que surgem frequentemente na área, não só de questões técnicas, mas de comerciais também. Pra facilitar o trabalho de ficar atualizado com o que acontece sobre o poliuretano no Brasil e no mundo, resolvi fundar esse blog, o Poliuretano clipping, para reunir numa única fonte, informações, notícias e matérias relevantes acerca de espumas de poliuretano que capturo na mídia em geral, facilitando a visualização das mesmas.
espumaspoliuretano

Faço o mesmo trabalho para o Projeto BrOffice.org, que é “garimpar” notícias e matérias referentes ao BrOffice.org, OpenOffice.org Internacional e ODF.

E querendo saber um pouco mais sobre esse produto tão versátil , o poliuretano, basta visitar http://poliuretano.wordpress.com/

Você vai se surpreender em encontrar o poliuretano em lugares onde você nunca imaginou.

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Um certo Miguilim

EM JULHO APROXIMADAMENTE PEGUEI SAGARANA, do João Guimarães Rosa pra ler. Conheci a casa em que ele morou, em Cordisburgo, que hoje é museu (até bati na velha máquina de escrever usada por ele), conheci pessoalmente o vaqueiro Manuelzão, na sua festa de aniversário de 90 (ou 91, ou 92) anos, também em Cordisburgo. Li muito a respeito de Rosa, suas manias, seus gatos, mas nunca havia lido uma obra sua. Já passava da hora, então. Já que tinha ganhado Sagarana, resolvi começar por este mesmo.

Quer dizer, só começar mesmo, porque não cheguei nem na metade d’O Burrinho Pedrês. Foi um choque literário pra mim. Não sabia que Guimarães Rosa era assim tão diferente de tudo o que eu estava acostumado. Já tinha ouvido falar do seu ‘linguajar’ lá das Gerais, seu jeito peculiar de descrever as coisas. Já tinha folheado vários de seus livros, mas ler é algo muito mais profundo. Estonteante. Sou até um grande fã de uma de suas mais famosas frases, a que diz que “eu não falo difícil. Apenas sei o nome das coisas”. Mas quando fiquei na dúvida se Badu era personagem, ou adjetivo criado por Rosa, vi que era hora de parar. Tive de deixar o livro de lado, pra não ter uma impressão errada sobre ele.

Decidi ler algo mais fácil. Optei por Kafka. Não é ironia minha, não. Quem diz que Kafka é difícil, inatingível, se engana. Ou nunca pegou um livro dele pra ler, ou se baseia na opinião dos outros. Li então “A Matamorfose”, seguido de “O Veredicto”. Fantásticas! Li mais uma coisinha ou outra, e voltei o pensamento pra Rosa. Mas não pro Sagarana. Tinha lido a respeito de Corpo de baile, e há muito tinha comprado Manuelzão e Miguilim num sebo aqui em Goiânia. Me adentrei então no Campo Geral do Miguilim

Foto: Juca Filho, em flickr.com/photos/jucafii

Um certo Miguilim morava com sua mãe, seu pai e seus irmãos, longe, longe daqui, muito depois da Vereda-do-Frango-d’água e de outras veredas sem nome ou pouco conhecidas, em ponto remoto, no Mutúm. No meio dos Campos Gerais, mas num covão em trecho de matas, terra preta, pé de serra. Miguilim tinha oito anos. Quando completara sete, havia saído dali, pela primeira vez; (…). De uma, nunca pôde se esquecer: alguém, que já estivera no Mutúm, tinha dito: – “É um lugar bonito, entre morro e morro, com muita pedreira e muito mato, distante de qualquer parte; e lá chove sempre.”

Assim começa a saga do nosso herói. Mas que baita heroi é esse! Há muito não me apaixonava por uma personagem tanto quanto me apaixonei por esse Miguilim. Meu filho agora só chamo de Miguilim. E que narrativa estonteante. Comecei a ler na primeira semana de Dezembro; tive que fazer uma pausa, causa das provas finais na faculdade. Voltei na última semana do mês. A “estória” se desenrola de uma forma mágica, prendendo e impressionando a quem se atreve a desvendá-la. As últimas 60 páginas li num fôlego só. Virei a noite. Não podia dormir sem saber como acabava aquilo tudo.

Mas felizmente não acabava. No acabar, começava uma nova vida pra Miguilim. Ia ser levado dali pelo doutor José Lourenço, do Curvêlo. Um homem muito bom. Miguilim ia estudar, depois aprender ofício. E um novo mundo se abria então. Descoberta sua vista curta (Miguilim era míope, tal qual seu criador; via aí um traço da biografia de Rosa dentro da narrativa), ele pode ver finalmente, através dos óculos emprestados pelo doutor, que sim, como era bonito o Mutúm!

Olhava mais era pra Mãe. Drelinha era bonita, a Chica, Tomezinho. Sorriu para tio Terêz: – “Tio Terêz, o senhor parece com Pai…” Todos choraram.

O fim, era só o começo de tudo.

E Miguilim merecia. Garoto obediente, ingênuo, honesto, que sofria como a maioria dos meninos da sua idade criados no sertão. Sem perspectiva, sem futuro, sua sina era a roça, o campear naquele mundão-sem-fim, ao lado do Pai, que tinha o mínimo de sentimento por ele. Era só ralhar e espancar. Quando o pai não estava indiferente, estava com raiva. Ele só demonstra apego pelo menino quando o vê no leito da cama, prestes a morrer.

Miguilim sorriu. Pai chorou mais forte: – “Nem Deus não pode achar isto justo direito, de adoecer meus filhinhos todos um depois do outro, parece que é a gente só quem tem de purgar padecer!?”

É, mas Miguilim era forte, tinha uma força que pouco boi tem; venceu aquilo tudo, com maestria que pouco adulto tem. E Rosa, contando essa “estória” toda, consegue comover a gente. Dá vontade, depois de virar a última página, de voltar logo pra primeira de novo, mó de buscar algo que se tenha perdido na primeira leitura.

Mas bem sei, pois já me ensinaram, Guimarães Rosa não é escritor de ser lido uma só vez. A sua literatura é estonteante por demais. Te tira da inércia. Como ele mesmo disse, que toda boa leitura, assim deve ser.

De fato Rosa não falava difícil, ele sabia o nome das coisas. Nunca se submeteu à tirania da gramática, dos dicionários dos outros. Tinha o sonho de fazer o seu próprio dicionário, com os termos usados pelos sertanejos. Há até uma lista criada por ele com algumas dessas palavras. E aquelas inventadas por ele, eram marcadas com um m%, (meu 100%).

Me adentro agora n’Uma estória de Amor, a saga do nosso querido Manuelzão.

O sertão é o mundo.

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A vida não se resume em blogs

SEIS MESES NO AR E OLHA AÍ O PROVOCAÇÕES já falando nessa tal famigerada blogosfera! Putz, só o nome disso me dá calafrios! Fala a verdade, pergunto pra a meia dúzia de cabeças que lêem esse blog: tem coisa mais chata do que blog que só fala de blogar? Tem coisa mais chata do que blogueiro que se acha? Todo bem, blog é a ferramenta de expressão do momento, tem muita gente legal, com conteúdo, mas convenhamos, um blog na mão de um idiota não seria o mesmo de um macaco solto numa cristaleira? Não vai prestar, não é mesmo?

Falando em macacos, o que é pior, os caras ainda ficaram putos quando um jornal de grande circulação comparou os blogueiros a macacos! Acho que isso foi uma ofensa aos animais. Coitado dos macacos, eles não são imbecis…

Imbecil é o vacilão que publica em seu blog a notícia sobre um novo programa lançado, ou um novo update, sem ao menos avaliá-lo antes, apenas pela correria pelo mérito de ter sido o primeiro a publicar tal notícia – e consequentemente engordar seu faturamento de AdSense. E alguns ainda tem a idéia infeliz de colocar no fim do post: “já baixei o programa, mas não testei. Alguém que tenha feito, fale nos comentários“. Faz o favor, né?

sobre_blogs

Mais ilustrações como essa em Mark Stivers – The Web Site

Não vou citar exemplos pra não fazer propaganda pra nenhum idiota, mas com tanto lixo circulando por aí, a chamada blogosfera acabou se transformando num campo minado – tal qual o Orkut e cia Ltda.

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Para escrever um livro, basta ser alfabetizado?

OUTRO PROGRAMA DA TV CULTURA que sou fã é o EntreLinhas. É exibido toda quarta-feira às 22h40. No programa que foi ao ar dia 04 de julho, vi uma matéria interessante sobre “Como encurtar o caminho até a publicação do primeiro livro“. Mostraram o árduo caminhos de alguns autores, por exemplo Adélia Prado e Lya Luft, que só publicaram seus primeiros trabalhos depois dos 40 anos de idade, e o caminho “mais fácil” percorrido por Cecília Meireles, que publicou “Espectro”, seu primeiro livro de poesia, aos 18 anos de idade.

Escrevendo...

A entrevistada, sócia de uma editora, abordou algumas curiosidades referentes à publicação de livros.

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