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Archive for the ‘cultura’ Category

Roda Viva com Carlos Lyra

Anteontem foi ao ar pela TV Cultura o excelente Roda Viva, tendo Carlos Lyra como entrevistado, como parte das comemorações dos 50 anos de Bossa Nova. Na minha opinião o programa foi mediano, falou-se muito de rótulos e datas, pouco de música. Primeiro quero dizer que conheço pouquíssimo de Lyra, e que o meu conhecimento acerca da Bossa Nova resume-se a Tom, Vinícius e João Gilberto. Achei que o programa foi médio pois quase que o tempo todo foi discutido principalmente o marco-zero da Bossa Nova (o Lyra afirmou que na sua opinião – e na minha também, e na do Tom também – tudo começou com Chega de Saudade, do João Gilberto). Mas o que tem-se de oficial é que Canção do Amor Demais, de Elizeth Cardoso, em 1958, marcou o início de tudo.

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Não quero entrar nesse mérito, até porque os que entraram na verdade se passaram por grandes chatos. O próprio Lyra disse que o leque está aberto, e que o movimento que ele diz que não teve a intenção de criar, surgiu entre 1954 (quando ele compôs sua primeira música) e 1959, quando do disco do João. Aliás, e como insistiram com ele sobre essa intenção de formar a Bossa Nova! Mesmo ele negando que, na época, quisesse/pensasse em criar alguma coisa.

A coisa foi surgindo, os amigos, principalmente da zona nobre do Rio, foram se reunindo e fazendo música que lhes agradasse, sem o objetivo claro de inventar alguma coisa. Decerto o interesse comercial sempre existiu, mas a criatividade era tanta, que ninguém parou pra dizer: “vamos inventar um novo estilo, um novo movimento: a Bossa Nova” (mas todos queriam que o Lyra o dissesse), tudo fluiu naturalmente. Lyra disse que ele só se deu conta do que tinham criado, da grandeza disso tudo, foi durante a sua apresentação no Carnegie Hall, em Nova York.

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Cultura

Dia desses estava pensando se era eu uma pessoa culta. Bom, eu gosto muito de literatura, já li Kafka, aprecio uma boa música, brigo por um português bem escrito e bem falado, jogo xadrez, gosto de química e ciências em geral, assisto a todos os Cafés Filosóficos da TV Cultura, eu sei quem foi Josué de Castro e sou muito colaborativo. Enfim, gosto desse tipo de coisa que geralmente as pessoas não gostam.

Mas eis a questão: será que basta isso pra que consideremos uma pessoa culta? O Aurélio diz que cultura é “Refinamento de hábitos, modos ou gostos”. Acho que nisso eu me encaixo. “Conjunto de microorganismos, células, etc”. Opa! Eu sou um conjunto de células! “O processo ou estado de desenvolvimento social de um grupo, um povo, uma nação, que resulta do aprimoramento de seus valores, instituições, criações, etc.; civilização, progresso”. Essa já é uma questão mais ampla, complexa, que não compreende a definição individual que eu busco. Continuo sem minha resposta.

Fiz-me então uma série de perguntas:

quantos idiomas eu falo fluentemente?
Apenas um (e muito mal), o português;

o que eu entendo de arte moderna?
Nada;

tenho quantos cursos superiores completos?
Nenhum;

em quantos outros países eu já estive?
Apenas um, na Espanha;

ouço Beethoven, Mozart e Bach frequentemente?
Não;

já li Shakespeare?
Não;

qual a minha principal fonte de informação hoje?
Internet.

Nesse contexto, eu sou o que o Aurélio chama de “curto de inteligência, bronco, asinino“.

Foi quando eu li um pequeno texto de José Paulo Paes, que MODIFICOU O MEU OLHAR:

Cultura não é acumulação de informação, é assimilação de informação, é tudo aquilo de que a gente se lembra após ter esquecido o que leu. Revela-se no modo de falar, de sentar-se, de comer, de ler um texto, de olhar o mundo. É uma atitude que se aperfeiçoa no contato com a arte. Cultura não é aquilo que entra pelos olhos, é o que modifica seu olhar.

José Paulo Paes nasceu em Taquaritinga SP, em 1926. Estudou química industrial em Curitiba, onde iniciou sua atividade literária colaborando na revista Joaquim, dirigida por Dalton Trevisan. Via Provocações.

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