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Archive for the ‘Literatura’ Category

Sempre que digo que Stephen King é meu escritor favorito, muitas pessoas me dizem: “mas como pode ler esse lixo?” Talvez o gênero literário afugenta um pouco certos leitores. Mas óbvio, a maioria que diz que King é lixo, nunca pegou num livro dele; no máximo assistiu algum filme baseado em alguma novela sua e se pôs a criticar.

Mas Stephen King não é pra qualquer um. Um pouco de cultura e estudo se faz necessário para compreender muitas passagens de sua obra. Por exemplo, na introdução de Dissecando Stephen King, ele fala de quando lecionava inglês, e de como ele e seus alunos pareciam de certa forma com “cães de Pavlov”. Mesmo ele dando uma dica do que se trata (“éramos condicionados a começar a falar – salivar – ao primeiro toque da campainha, e a se emudecer ao segundo toque, alguns minutos depois”) duvido que algum crítico de momento tenha capacidade de entender o que King diz naquele momento. Portanto resumem-se a criticar.

Outro exemplo é no conto O Nevoeiro, de Tripulação de Esqueletos. No princípio, quando estão todos presos naquele supermercado, David se vê dentro de uma grande “caixa de Skinner”. Não, seu verme, não o Skinner diretor da escola onde estuda Bart Simpson, mas o grande psicólogo americano, pai do behaviorismo, ramo da psicologia que mais se aproxima do conceito de ciência.

Óbvio que o não conhecimento sobre os conceitos que citei não interfere de uma maneira geral no entendimento da obra como um todo. Mas vejo a leitura como um montante de pequenos prazeres. Os grandes autores sempre se preocupam em escrever da melhor forma possível, em usar a palavra mais certa, em harmonizar frase a frase da história. O mínimo então é reconhecer cada esforço desse, e não simplesmente deixar de entender uma passagem imaginando que ela não vá fazer falta no contexto geral.

Das duas, uma: ou esses críticos nunca pegaram num livro de King (ou de qualquer outro autor); ou se pegaram, se depararam com alguma situação parecida com as que acabei de citar, fundiram a cuca e largaram o livro pra lá (é sempre mais fácil não fazer!). Mas para esse tipo de leitor (se é que podemos chamá-los de leitor) sempre haverá os ‘paulos coelhos’ da vida, literatura (se é que podemos chamar de literatura) fácil, que nada te ensina ou “nunca lhe tira da inércia”, como dizia Guimarães Rosa.

Vão em frente!

PS: As notas do último parágrafo não são pré-conceitos de minha parte. Tratam-se apenas de provocações.

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Stephen King – Um Homem Iluminado

Durante o início de carreira, as coisas nem sempre eram fáceis para o jovem Stephen King. Entretanto algumas vezes a solução parecia cair do céu.

Certa vez, Stephen King andando pelas ruas do Maine, vê cones de sinalização durante todo o percurso. Decerto alguém os esquecera lá após realizar algum serviço de manutenção viária, ou algo do tipo. O fato é que King se irritara com tais cones, e aproveitando estar com sua caminhoneta, saiu recolhendo os cones, um por um, a fim de levá-los ao departamento de trânsito da cidade, e registrar uma reclamação.

Acontece que, depois de recolher vários deles, King fora interceptado por uma viatura policial. O guarda então desce da viatura, olha para os vários cones na caçamba da caminhoneta, encara King com uma cara de ‘velhaco’ e lança a pergunta: “Esses cones por acaso te pertencem, filho?”

King fora intimado a prestar depoimento no tribunal da cidade, e condenado a pagar uma multa de 250 dólares.

Há muito King não recebia nada pelos seus contos publicados, e o dinheiro da família mal dava para os remédios do bebê recém-nascido. Faltando um dia para o pagamento da multa ao estado, eis que King recebe pelo correio um cheque nominal de 250 dólares da revista Cavalier, referente à publicação de um conto que estava em posse do editor há mais de seis meses, e que até então não havia sido aproveitado.

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EM 2008 LEMBRAMOS OS 100 ANOS DA MORTE DE MACHADO DE ASSIS, nosso escritor maior. Mas quem foi Machado, e o que ele representa para a nossa cultura?

É isso que uma série de comemorações e lançamentos vai tentar explicar esse ano. Eu li Machado de Assis tardiamente, quando ano passado comprei o Quincas Borba. Já tinha lido o conto “A Carteira”, e antes disso sempre tive a impressão de que Machado era ilegível, muito arcaico e rebuscado. Pelo contrário. Quando eu li A Carteira, percebi que tudo o que eu tinha ouvido falar de Machado não passava de preconceito. Quincas Borba, por exemplo, poderia ter sido escrito tanto no século XVIII quanto agora mesmo, no início do século XXI, grande é a sofisticação da linguagem utilizada por ele. Quando Machado narra: “o LANCE da carta que Rubião envia à Sofia” prova-se isso.

É certo que aqueles livrinho que te obrigam a ler no ensino fundamental te espantam um pouco da litreratura brasileira. Eu sozinho tomei gosto pela leitura, infuenciado por uma amiga, não pela escola, mas tinha verdadeira aversão à literatura brasileira. O primeiro livro que li, por gosto, foi A Morte Espera da Esquina, romance policial de James Hadley Chase. Li e reli em pouco tempo, gostei mesmo do livro, ele é de arrepiar! Só não li a terceira vez porque o livro era velhinho e já tinha perdido algumas páginas. Depois fui apresentado à Stephen King. Era fã das adaptações para o cinema, mas nunca tinha lido nada dele. Comecei por O Cemitério, e a destruição da família Creed. Quando soube, anos depois, que o tema do filme era Pet Sematary, dos Ramones, aí virei mais fã ainda de Stephen King (não me lembro se conheci Ramones antes de King, ou vice-versa). Depois li O Iluminado, a loucura de Jack Torrance. Sensacional.

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Um certo Miguilim

EM JULHO APROXIMADAMENTE PEGUEI SAGARANA, do João Guimarães Rosa pra ler. Conheci a casa em que ele morou, em Cordisburgo, que hoje é museu (até bati na velha máquina de escrever usada por ele), conheci pessoalmente o vaqueiro Manuelzão, na sua festa de aniversário de 90 (ou 91, ou 92) anos, também em Cordisburgo. Li muito a respeito de Rosa, suas manias, seus gatos, mas nunca havia lido uma obra sua. Já passava da hora, então. Já que tinha ganhado Sagarana, resolvi começar por este mesmo.

Quer dizer, só começar mesmo, porque não cheguei nem na metade d’O Burrinho Pedrês. Foi um choque literário pra mim. Não sabia que Guimarães Rosa era assim tão diferente de tudo o que eu estava acostumado. Já tinha ouvido falar do seu ‘linguajar’ lá das Gerais, seu jeito peculiar de descrever as coisas. Já tinha folheado vários de seus livros, mas ler é algo muito mais profundo. Estonteante. Sou até um grande fã de uma de suas mais famosas frases, a que diz que “eu não falo difícil. Apenas sei o nome das coisas”. Mas quando fiquei na dúvida se Badu era personagem, ou adjetivo criado por Rosa, vi que era hora de parar. Tive de deixar o livro de lado, pra não ter uma impressão errada sobre ele.

Decidi ler algo mais fácil. Optei por Kafka. Não é ironia minha, não. Quem diz que Kafka é difícil, inatingível, se engana. Ou nunca pegou um livro dele pra ler, ou se baseia na opinião dos outros. Li então “A Matamorfose”, seguido de “O Veredicto”. Fantásticas! Li mais uma coisinha ou outra, e voltei o pensamento pra Rosa. Mas não pro Sagarana. Tinha lido a respeito de Corpo de baile, e há muito tinha comprado Manuelzão e Miguilim num sebo aqui em Goiânia. Me adentrei então no Campo Geral do Miguilim

Foto: Juca Filho, em flickr.com/photos/jucafii

Um certo Miguilim morava com sua mãe, seu pai e seus irmãos, longe, longe daqui, muito depois da Vereda-do-Frango-d’água e de outras veredas sem nome ou pouco conhecidas, em ponto remoto, no Mutúm. No meio dos Campos Gerais, mas num covão em trecho de matas, terra preta, pé de serra. Miguilim tinha oito anos. Quando completara sete, havia saído dali, pela primeira vez; (…). De uma, nunca pôde se esquecer: alguém, que já estivera no Mutúm, tinha dito: – “É um lugar bonito, entre morro e morro, com muita pedreira e muito mato, distante de qualquer parte; e lá chove sempre.”

Assim começa a saga do nosso herói. Mas que baita heroi é esse! Há muito não me apaixonava por uma personagem tanto quanto me apaixonei por esse Miguilim. Meu filho agora só chamo de Miguilim. E que narrativa estonteante. Comecei a ler na primeira semana de Dezembro; tive que fazer uma pausa, causa das provas finais na faculdade. Voltei na última semana do mês. A “estória” se desenrola de uma forma mágica, prendendo e impressionando a quem se atreve a desvendá-la. As últimas 60 páginas li num fôlego só. Virei a noite. Não podia dormir sem saber como acabava aquilo tudo.

Mas felizmente não acabava. No acabar, começava uma nova vida pra Miguilim. Ia ser levado dali pelo doutor José Lourenço, do Curvêlo. Um homem muito bom. Miguilim ia estudar, depois aprender ofício. E um novo mundo se abria então. Descoberta sua vista curta (Miguilim era míope, tal qual seu criador; via aí um traço da biografia de Rosa dentro da narrativa), ele pode ver finalmente, através dos óculos emprestados pelo doutor, que sim, como era bonito o Mutúm!

Olhava mais era pra Mãe. Drelinha era bonita, a Chica, Tomezinho. Sorriu para tio Terêz: – “Tio Terêz, o senhor parece com Pai…” Todos choraram.

O fim, era só o começo de tudo.

E Miguilim merecia. Garoto obediente, ingênuo, honesto, que sofria como a maioria dos meninos da sua idade criados no sertão. Sem perspectiva, sem futuro, sua sina era a roça, o campear naquele mundão-sem-fim, ao lado do Pai, que tinha o mínimo de sentimento por ele. Era só ralhar e espancar. Quando o pai não estava indiferente, estava com raiva. Ele só demonstra apego pelo menino quando o vê no leito da cama, prestes a morrer.

Miguilim sorriu. Pai chorou mais forte: – “Nem Deus não pode achar isto justo direito, de adoecer meus filhinhos todos um depois do outro, parece que é a gente só quem tem de purgar padecer!?”

É, mas Miguilim era forte, tinha uma força que pouco boi tem; venceu aquilo tudo, com maestria que pouco adulto tem. E Rosa, contando essa “estória” toda, consegue comover a gente. Dá vontade, depois de virar a última página, de voltar logo pra primeira de novo, mó de buscar algo que se tenha perdido na primeira leitura.

Mas bem sei, pois já me ensinaram, Guimarães Rosa não é escritor de ser lido uma só vez. A sua literatura é estonteante por demais. Te tira da inércia. Como ele mesmo disse, que toda boa leitura, assim deve ser.

De fato Rosa não falava difícil, ele sabia o nome das coisas. Nunca se submeteu à tirania da gramática, dos dicionários dos outros. Tinha o sonho de fazer o seu próprio dicionário, com os termos usados pelos sertanejos. Há até uma lista criada por ele com algumas dessas palavras. E aquelas inventadas por ele, eram marcadas com um m%, (meu 100%).

Me adentro agora n’Uma estória de Amor, a saga do nosso querido Manuelzão.

O sertão é o mundo.

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É ISSO MESMO! QUE PAULO COELHO vende livro como se fosse água, já sabíamos. Mas há uma explicação obscura pra isso: O Alquimista, o livro de cabeceira de Garry Kasparov, a mais vendida, a mais referenciada, a mais discutida, a mais indicada, a mais estudada de suas obras, aparece em sétimo lugar numa pesquisa realizada com 4 mil leitores britânicos, que investigou se os livros comprados por eles eram, de fato, lidos!

Pra ser curto e grosso, O Alquimista é muito vendido, mas pouco lido. De que adianta? Li até hoje O demônio e a srta Prym do P. Coelho. Ganhei o livro, não pude deixar de ler. Acredito que nenhum livro seja ruim o suficiente a ponto de não merecer ser lido, mas pra tudo tem limite.

Ainda parte dos pesquisados afirma também que compra livros só para decorar a casa, e parte afirma que nunca compraria um livro com mais de 350 páginas, (“não entendo toda essa importância que as pessoas dão aos livros que não conseguem ficar em pé sozinhos” – J. Guimarães Rosa).

O resto da lista? Nem comento! Não li (nem comprei) nenhum outro, mas ver o Harry Potter de J.K. Rowling em segundo lugar, em seu próprio berço, é mais frustrante ainda (pra ela, claro).

1. Vernon Little, o Bode Expiatório – D.B.C Pierre

2 .Harry Potter e o Cálice de Fogo – J.K. Rowling

3. Ulysses – James Joyce

4. O Bandolim de Corelli – Louis De Bernières

5. Cloud Atlas – David Mitchell

6. Versos Satânicos – Salman Rushdie

  • 7. O Alquimista – Paulo Coelho

8. Guerra e Paz – Liev Tolstoy

9. O Deus das Pequenas Coisas – Arundhati Roy

10. Crime e Castigo – Dostoyevsky

Fonte: Literábit – Ratos de biblioteca em seu habitat natural | http://literabit.comopiniao.com

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Sobre Stephen King. _O começo…

NUM ARTIGO ANTERIOR CONTEI UMA HISTÓRIA que li em um Livro chamado “Dissecando Stephen King“, uma série de entrevistas do Stephen King, organizadas por Tim Underwood e Chuck Miller. Esse livro é repleta de histórias curiosas sobre a vida pessoal e carreira desse importante escritor contemporâneo. Ele é um dos escritores que mais aprecio. Houve um período de mais ou menos três anos em que eu só lia livros se fossem do Stephen King! 😛

Tabitha e Stephen King

Tabitha e Stephen King Juntos.

King teve um começo de carreira muito sofrido, tendo que trabalhar duro numa lavanderia, 50 a 60 horas semanais, ganhando US$1,75 por hora, para sustentar os dois filhos e a esposa e também escritora Tabitha King.

Falando em Tabitha, foi ela a grande responsável pelo lançamento de King no mundo dos grandes romances. Nessa época King já escrevia vários contos para revistas masculinas da época, como a Cavalier, Dude e a Twilight Zone Mas até então não conseguira emplacar nenhuma novela no mercado.

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